Clientes de uma produtora de festas de Santa Maria passaram a denunciar a empresa após uma série de cancelamentos dos eventos contratados. Mais de 15 pessoas que teriam festas nos próximos dias receberam um comunicado, via WhatsApp, de que a empresa não teria condições de realizar os eventos, ainda que já estivessem pagos.
Nos últimos dias, clientes que teriam sido lesados pela produtora têm registrado boletins de ocorrência e buscado a Justiça para serem ressarcidos. Os prejuízos, entre clientes e prestadores de serviços ouvidos pela reportagem, chegariam a R$ 55 mil.
Festas de 15 anos canceladas
Em setembro, um casal, que prefere não ser identificado, firmou um contrato com a produtora para a realização da festa de 15 anos da filha. A comemoração estava marcada para ocorrer no último sábado (17). No entanto, apenas três dias antes do evento, uma funcionária da produtora entrou em contato para informar que a festa não seria realizada por questões financeiras. O prejuízo foi de R$ 10,5 mil.
– O dano material é um valor alto, porém, é o sentimental que é difícil de estimar. Como falar para uma filha que o sonho dela não vai ser realizado por causa de um golpe? Como falar para todos os convidados que não teria mais festa? Os últimos dias foram de um grande transtorno. Procuramos respostas junto à responsável e nos disseram que ela estava com problema de saúde. Agora, vamos representar judicialmente como estelionato para que isso não se repita com outras pessoas – diz o pai da adolescente.
Desde abril, os pais de outra adolescente planejaram a festa de 15 anos da filha. Eles reuniram economias durante cinco anos e fecharam um contrato no valor de R$ 8,8 mil com a produtora. A família já conhecia o trabalho e confiava no serviço prestado. A festa estava prevista para ocorrer no último sábado (17), mas também foi cancelada. Em novembro, a mãe da adolescente intensificou o contato com a produtora para acertar detalhes como cerimônia e músicas a serem tocadas no evento.
– Apesar de me enrolar, ela conversou até muito perto da festa sobre cada detalhe. Disse que seria a cerimonialista para que tudo saísse perfeito. No final de novembro, ela me ligou e disse que estava na fila de uma loja com compras para a festa e que o cartão teria sido clonado, pediu um valor e afirmou que pagaria de volta. Como era uma pessoa conhecida, pagamos. Estávamos muito ansiosos para a realização do sonho da nossa filha. Mas fomos achando cada vez mais estranho, até descobrirmos que ela não faria a festa. É um sentimento horrível de ser enganada, de ser vítima de um golpe por uma pessoa conhecida – desabafa.
Cancelamentos via WhatsApp
Outras famílias de Santa Maria vivem a mesma situação. Em outro caso, a festa cancelada foi um aniversário de 1 ano. Marcada para o último domingo (18), a mãe da pequena aniversariante recebeu o comunicado de cancelamento pelo WhatsApp. A justificativa também foi dada por uma funcionária, que falou sobre a falência da empresa. A festa custou mais de R$ 2,8 mil.
– Poucos dias antes da festa, fomos até o salão que ela alugava. Achamos muito pequeno para o que estava previsto em contrato e foi oferecido um espaço maior, mais caro e que a diferença poderia ser paga em Pix. Achei estranho e não aceitamos. Na semana passada, poucos dias antes da festa, recebemos a notícia sem muitas justificativas. É inaceitável acreditar que a pessoa se deu conta da falência dois, três dias antes da realização de várias festas – ressalta a mãe da bebê.
Sonho do casamento virou dor de cabeça
Além de festas de aniversários, clientes que sonhavam com uma grande festa de casamento também foram lesados. O casal Dionata Castro e Rossana Oliveira recebeu indicação do trabalho da produtora e, em abril deste ano, fechou contrato de R$ 12 mil para a festa de casamento, que deveria ser realizada em fevereiro de 2023. Poucos dias depois, foram a um evento produzido pela mesma empresa e teriam reparado com inúmeros problemas, entre eles a falta de comida. Assim, o casal decidiu rever o negócio. Oito meses depois, Dionata e Rossana enfrentam uma grande dor de cabeça já que, apesar da quebra de contrato e um boletim de ocorrência registrado, o dinheiro não teria sido devolvido.
– Foram criados inúmeros empecilhos para cancelarmos o contrato e isso não estava previsto inicialmente. Decidimos representar judicialmente, mas são muitos meses de dor de cabeça e de tristeza. A festa de casamento era um sonho e agora não temos condições de contratar outro serviço para pagar uma nova festa. É difícil até falar porque economizamos muito para isso – lamenta Dionata.
Em suposta mensagem enviada aos clientes, a justificativa dada por uma funcionária é que a empresa estaria falida. “Em nome da empresa deixo à disposição a justiça para eventuais cobranças e negociações. Devido a vir desde a pandemia lutando para se manter de portas abertas, infelizmente chegou a hora de não conseguirmos mais nos manter. Pedimos desculpas em nome da empresa. Não podendo honrar nossos contratos e avisando próximo pois, até o devido momento, contávamos com ajuda financeira de bancos que nos fecharam as portas”, diz a mensagem.
Profissionais não teriam sido pagos
Assim como clientes, diversos prestadores de serviços que atuavam nas festas realizadas pela empresa, como DJs, proprietários de salões, cozinheiras, garçons, fotógrafos e produtores audiovisuais também teriam sido lesados e não receberam pelo trabalho realizado. A proprietária de um dos salões que a produtora alugava para realizar eventos teve prejuízo de R$ 20 mil:
– Ela normalmente pagava, mas de uns meses para cá começaram esses problemas sérios. Sabemos que diversos espaços da cidade que tinham festas agendadas por ela estão enfrentando transtornos. E as pessoas chegam até os donos dos salões para cobrar alguma resposta, mas estamos no mesmo barco que os clientes – diz a proprietária.
Um produtor audiovisual de Santa Maria não recebeu R$ 2,3 mil, valor acertado para a produção de fotos e vídeos de festas. Além do valor não pago, a preocupação do profissional é com os demais prestadores de serviços que não receberam.
– Ela vendeu muitos pacotes de festas que estavam inclusos serviços como o que presto. Só que esses valores não foram pagos. São muitos profissionais que dependem da realização dessas festas para sobreviver. É uma situação muito desesperadora – desabafa o profissional.
Contato sem resposta
A reportagem tentou contato com a proprietária da empresa, mas ela não atendeu às ligações. Até o momento da publicação desta reportagem, não havia um representante oficial constituído no caso. A reportagem não está publicando o nome da empresa por ainda não ter conseguido contato com a proprietário ou seu advogado para prestarem esclarecimentos sobre as denúncias.